LE BIZARRE EST SUPER!
… não sou exatamente homofóbico, mas, como homem, sempre fico atento ao que as garotas estão fazendo; porque eu acho (não precisam concordar) que são elas que identificam o que está acontecendo de novo no mundo e, sem que a maioria perceba, dão um passo à frente e denunciam isso com a graça que deus lhes deu!
… e é sobre isso que vou tratar nesse post, começando com um show à la Beatles, realizado em New York, no Bowery Poetry Club!
… enquanto as modernidades vão imprimindo suas redundâncias pós-modernas, todas dependentes de máquinas tecnologicamente corretas, softwares accessíveis a todo tipo de imbecil, realejos eletrônicos e outras coisinhas mais, correndo por fora, uma curiosa maneira de reMixar o passado está sendo cada vez mais executada em raves com música ao vivo e night-clubs que não são exatamente gays, como esses que são assistidos pelos DJs de plantão: estão chamando de BURLESQUE ROCKABILLY & BLUES!
… a marca da nova moda são shows cheios de vedetes que não precisam ter as medidas das garotas que saem em capas de Playboy, mas que sabem exatamente o que fazer quando se trata de provocar garotos, como nesta amostra a seguir, com uma das mais famosas artistas da nova (novo?) onda, Fannie Spankings, direto de Denver, Colorado, em performance ao vivo no Western Rockabilly Burlesque Show, realizado no Lannie’s Clock Tower Cabaret, um night-club fundado no tempo em que playboys iam pro bar com revólveres nos coldres, fumavam cigarros feitos à mão e não havia um garçon sequer que lhes viesse dizer que aquilo era proibido por lei…
… imaginem se essa moda pega por aqui? … quer saber? Vai ficar mais divertido do que está!
… ou será que ninguém está percebendo nem se dando conta de que o tédio dos pós-moderninhos está tomando conta de tudo?
… será que não notam que tudo está sendo esterilizado com uso de uma perigosa higiene (pra não dizer: lavagem cerebral) que tem por objetivo eliminar todas as coisas que nos faziam sentir emoções fortes, euforias alucinantes, tristezas cheias de comoção?
… o fato é que o tédio não é violento, é calmo … parece que põe as coisas em ordem … os caretas, em sua grande maioria, adoram o ambiente banalizante que ele proporciona, cheio de redundâncias acomodadas…
o que não fica visível é que, apesar dessa calmaria tranquila, o tédio esvazia o sentido das coisas … tira-lhes a essência e impõe proibições bizarras, como essa do cigarro que mata quem não fuma, a da Lei Seca que teoricamente diminui acidentes e outros choques de ordem mais caretas ainda…
… aliás, isso só está acontecendo porque a tolerância zero ainda não deu suas caras (sentiram como a garotada londrina reagiu por causa de um excesso de ordem que autorizou a polícia a atirar num outro inocente?) … é isso que acontece quando os caretas que enlouqueceram pagam as contas dos bares: pagam para chatear todo mundo e ver todo mundo ficar caladinho, bonzinho, bonzinho…
… meu amigo Luis Melodia foi claro comigo, outro dia, me dizendo: tavinho, … o problema não é que os doidões dos anos hippies (onde se lutava por paz e liberdades essenciais) ficaram caretas, o problema é que os caretas enlouqueceram e os caretas não tem limites!
… se esse tal BURLESQUE pegar por aqui, o que vai ter de coroa doida disputando espaço com as gatinhas não vai ser mole … portanto, vamos assistir a curta apresentação da banda Theatre Bizarre, em Detroit, durante um festival muito louco, onde o tema central era : O FOGO!
… neste mesmo festival, quem encerrou com um show de dança estilo clássico-burlesco (é assim que a artista costuma classificar seu trabalho), foi nada mais nada menos do que Lily LaRue, cujo demo tape na web faz sucesso e identifica um aplicativo de ação performática feminina que, se não é uma novidade, uma nostalgia também não é … vejam só:
… Big John Bates & the Voodoo Dollz é uma banda de Rock de Vancouver que, além de ter cruzado o mesmo território melódico de Tom Waits e ter como líder um poeta, costuma utilizar essas ações burlesco-performáticas, como neste vídeo, a seguir, com a performance da artista Elle LaBelle…
… a onda é tão maluca que chegou a poesia!
Assistam esse performance ( ”I Refuse To Rock and Roll”) da poeta Madame Hari, a mesma que abre esse post e que agora vai fechá-lo, numa das noites mais concorridas (3 sessões seguidas – todas sold out!) no mais badalado clube de poesia do mundo: o Bowery Poetry Club de New York…
… agora, se quiserem ver mais, é só procurar o tema no Google e conhecer artistas com nomes bizarros como: Gal Friday, Dixie Ramone, Ali Kat Rose, Lili von Schumpt, Gaduska Slavat … e muito mais…
ah! se essa moda pega (pelo menos) aqui no Rio…
Aqui em SP muitas das casas noturnas tem shows burlescos. Esse movimento burlesco já está acontecendo faz um tempo, ao menos aqui em SP, garotas tatuadas de franjinha fanáticas pela Betty Page entopem a Augusta. De fato é uma cultura interessante!
No Rio não tem … sei lá: pode até ter … mas o que chama atenção é o posicionamento com que essas maericanas estão tratando … os eventos não acontecem em espaços dedicados, tradicionalmente off-off, mas em shows normais (o Tom Waits tem um número assim no dele, Bono Vox inseriu uma bailarina iraniana no show do U2) … o que está em foco é um outro tipo de ação que não o strip-tease convencional … são artistas que aparecem em Galerias de arte de vanguarda como a Madame Hari a Lili von Xchumpt … sei não: tem algo nisso que é melhor que parada Gay, outtra coisa que São Paulo fz bem…